segunda-feira, maio 01, 2006

10:02 da manhã do dia 27 de Abril de 2006

Foi o momento mais feliz da minha vida...nasceu o António Maria o bébé mais bonito do mundo, palavra de mãe babada ;). O relato fica para depois porque agora tenho de ir dar uns mimos a alguém que me olha com olhinhos de azeitona!

sexta-feira, abril 21, 2006

A América para principiantes Vol. I

1. Acessibilidades e Transportes
1.1. Na América quase toda a gente passa na carta de condução. Os carros não têm mudanças e os lugares de estacionamento dão para dois carros europeus e para um carro e meio americano, sendo por isso difícil falhar o alvo. Ainda assim há quem não passe;
1.2. Logo, os carros americanos fazem parecer todos os carros europeus Smarts e os Smarts carrinhos de bébés... (curiosamente os carrinhos de bebes parecem carros de Fórmula 1);
1.3. Pérolas do Parque Automóvel Americano:
  • HUMMER - O carro tanque: é claramente inspirado em veículos bélicos e faz as delícias dos chefes de família que gostam de ter tudo sobre controlo e que um dia sonharam ser o Rambo.http://tinyurl.com/j3237
  • LIMOS - Fazem parte da mobília da casa o que seria da América sem elas?Existem de todos os comprimentos e quanto mais indiscretas melhor. São carros-party por excelência...mas... limousines Hummer?!!!!!What is that??http://www.firstclasslimos.net/
  • CADDILLAC - Os novos Cadillac são meios de transporte high-end bastante solicitados mas eu gosto é dos antigos! Estas relíquias cada vez mais raras são as minhas predilectas mas têm que ser cor-de-rosa choque!Conduzem-se de cabelo ao vento ao som de Jonnhy Cash http://www.terragalleria.com/images/us-ca/usca9886.jpeg

  • OS CARROS DA POLÍCIA- Confirmo, são tal e qual como os dos filmes. Banheiras predadoras cheias de luzes e sirenes sempre à cata de um desgraçado a quem possam passar uma multa;

  • OS CARROS DOS BOMBEIROS - O meu pior pesadelo. São camiões vermelhos cheios de mangueiras que passam pelo menos 200 vezes por dia em frente à minha janela com as sirenes e as luzes ligadas como se o mundo fosse acabar. Aqui em Evanston são muito úteis para salvar gatos de árvores. Quando passam a noite fico com insónia.

1.4. A Filosofia do Carro-Casa: todos os carros são salões. Devem ter poltronas confortáveis para sentar a família e muito espaço para esticar as pernas. É como estar em casa! Todos têm aquele tipo de pormenores tal como porta-copos para as coca-colas e tecnologias de ponta tipo GPS e um bom sistema de som. O condutor americano conduz ao ritmo de quem vê um filme no sofá;

1.5. As estradas americanas têm duas faixas de cada lado em que cabem pelo menos 2 carros americanos. Fazem parecer a A1 uma estrada nacional. As auto-estradas americanas são pistas de aviação onde cabem pelo menos um boeing e um airbus lado a lado;
1.6. Na América não há rotundas. Quando aparece uma por engano, forma-se uma fila de trânsito baralhada pela novidade;
1.7. Nos semáforos pode-se sempre virar à direita mesmo que esteja vermelho. Regra inteligente e muito prática que facilita o trânsito, deveria ser importada imediatamente para Portugal;
1.8. A regra dos 3 segundos: não se pode conduzir a menos de 3 segundos do carro da frente. Resulta melhor do que as setinhas de distância que temos nas auto-estradas portuguesas;
1.9. Nos cruzamentos é obrigatório fazer full-stop (ou seja, não vale a pena abrandar apenas o carro é parar mesmo!), quem não o fizer terá um carro da polícia atrás de um arbusto com uma multa já passada.Curiosamente deixam ultrapassar pela direita, falar ao telemóvel e ignoram totalmente os duplos contínuos!
As estradas americanas são assim, aos olhos de um estrangeiro, um verdadeiro playground de pura diversão!!
Have a nice trip!

quinta-feira, abril 20, 2006

C'est pour ça que je t'aime dejá...

Desperate Pregnant Wife

Quem espera desespera...já passaram 39 semanas e meia mas ainda não deu a cara. Isto não quer dizer que não dê sinais da sua presença, mais do que isso, marca de forma clara o território que agora lhe pertence com queixas dos vizinhos estômago, bexiga e outros orgãos que vêm dificultado o seu trabalho diário pelo cada vez menor espaço disponível para o fazer.
É certo que passa a maior parte do tempo a dormir mas o facto de não ter janela para o exterior impede-o de distinguir a noite do dia. Aproveitando o balancear do meu corpo nos passeios que dou enquanto há sol, deixa-se adormecer como num berço, acordando de noite quando o embalo acaba. Começa então a sua ginástica de preparação para o parto lá pelas 2 da manha. Três séries de perninhas em cima do fígado mais quatro séries de bracinhos na bexiga alternadas com alongamentos do tronco que desviam o estômago do lugar e fazem arder o esófago.Gosta muito de saltar sobre a sua cama elástica com vários metros de molas que anteriormente serviam para terminar o trabalho digestivo começado pela boca.
O útero parece ser o único que concorda com esta nova ordem espacial: ganhou importância, tamanho e transformou-se num gordo burguês. Está de tal forma altivo que "oprime" a circulação sanguínea das veias no sentido ascendente fazendo com que os tornozelos pareçam troncos e as pernas fiquem coradas. Ando por isso agora de havaianas e pus as botas no armário. A minha imponente barriga agora mais descaida suplica pelo dia D. Não a censuro afinal é ela quem suporta o "peso" da situação! Para mais já por duas vezes foi ofendida por estranhos que me abordaram perguntando se iria ter gémeos...sentiu-se gorda coitada!
Teoricamente daqui a 4 dias, o equilíbrio será reposto e o pequeno príncipe deposto. Mas que nada receie...cá fora há um novo reino à sua espera e uma vida nova para viver! Até lá, continuarei sem ver os pés no duche à espera que o pequerrucho decida aparecer...

terça-feira, abril 04, 2006

Shopping

Ontem fomos às compras a um centro comercial aqui perto. O Pinguim precisava de uns jeans novos e eu tinha um vale de desconto no Bloominglade's (uma espécie de El Corte Inglês) para usar nos próximos dias. Após a prova de alguns modelos decidiu-se por uns com ar "jovem" apropriados à sua nova rotina de estudante. Quando fomos pagar pedimos o tal desconto e apercebemo-nos de dois jovens afro-americanos com ar atlético e look streetwear que também ali se abasteciam de calças de ganga. Um deles levou uns 8 pares e pagou nem mais nem menos do que 1500 dólares. Enquanto a cena decorria os dois observavam-nos e eu, acostumada a que olhem para a minha enorme barriga, achei até bastante normal que o fizessem. De qualquer forma, o pagamento com um cartão visa dourado daquela quantia toda em jeans pareceu-me bastante invulgar e comentei com o Pinguim se seriam daqueles miudos dos gangs com poder de compra muito acima da média para a pouca idade que aparentavam ter. Quando finalmente chegou a nossa vez, o Pinguim comentou a sorrir com o vendedor que se sentia embaraçado em pedir um desconto de 15 dólares quando alguém antes dele dispendera um montante tão avultado em roupa. O vendedor surpreso perguntou "não sabe quem era?Era Ben Gordon o jogador de NBA dos Bulls!"
Na verdade não sabiamos, somos estrangeiros e o NBA passa-nos um pouco ao lado. A nossa ignorância seria equivalente à de alguém em Portugal não reconhecer o Nuno Gomes do Benfica por exemplo.
Percebi então que os dois olhavam para nós na expectativa que os reconhecessemos por estarem habituados ao estatuto de estrelas mas sem sucesso porém...e para cúmulo, a leitura que fiz da situação foi a de dois jovens bem sucedidos mas possivelmente delinquentes às compras.Hilariante.
Quando cheguei a casa fui ao site do NBA e lá estava ele, o melhor "sexto jogador" do NBA em 2004/2005
Hoje por coicidência passou a biografia dele na televisão de forma que, da próxima vez, quando nos voltarmos a cruzar no shopping, possivelmente dar-lhe-ei a atenção a que está habituado no mundo do basketball e que reconforta o ego de uma superstar.

domingo, abril 02, 2006

Dolce Vita















A vida em Chicago corre suavemente...o tempo tem vindo a melhorar o que facilita muito o meu quotidiano. É dificil desacostumar-me do maravilhoso clima de Portugal...na verdade não sabia que tinhamos um clima tão bom, nem quando vivi no Rio com 40 graus e às vezes mais. Aqui o frio desencoraja uma caminhada ao pé do lago que a propósito é magnífico e propicia o dolce fare niente caseirinho.

Tenho aproveitado o tempo de "espera" pelo António para pôr em prática um dos meu hobbies favoritos que há muito tinha largado. Voltei a cozinhar e estou a adorar!Lanço-me então na busca por produtos de qualidade e condimentos elaborados. Aqui na rua existe o melhor supermercado do mundo chama-se "Whole Foods" e é mais perigoso para o bolso do que passar em frente à montra da Coach! Belíssimo e caríssimo também, os produtos alimentares são 100% saudáveis e muito requintados, todos dispostos em expositores minuciosamente estudados para que sejam uma experiência estética para o olhar. O sonho de qualquer dona de casa e o pesadelo de qualquer marido que se aventure em acompanhá-la ao paraíso dos alimentos podendo contar com umas horas valentes na escolha ponderada do gourmet.
É engraçado tentar explicar no meu inglês de russa que preciso de pão ralado ou de gelatina em folhas o que leva sempre a curiosidade dos meus interlocutores a alongarem a conversa para saberem de onde venho e quando nasce o bébé.
O Pinguim tem sido uma cobaia paciente (e sincera também :)) apoiando a minha criatividade de chef em aventuras que nem sempre correm pelo melhor mas que pelo menos são um fait divers à gastronomia norte-americana...ontem recebemos aqui em casa o Michael, um amigo suíço que veio jantar. O menú foi: creme de cenoura com ovo cozido e salsa, pato com laranja acompanhado por arroz de forno e salada verde por fim de sobremesa uma saladinha de frutas feita pelo Pinguim mt mt boa!Ahh... e vinho tinto que acabou a meio de uma partida de rummy todo na toalha giríssima que tinha comprado para ocasiões mais especiais, nas cadeiras de tecido, na parede ainda hoje manchada, alcatifa e calças do convidado!
O meu outro hobbie é jogar golfe. Estou a aprumar o meu swing e putting e tenho a sorte de ter como professores Tiger Woods, Jake Nicklaus e Singh. Já faço uns Birdies e Eagles no meio de uns tantos Bogeys e chego a dar tacadas de 320 metros...mas o mais incrivel é que faço isto tudo sem levantar o rabo do sofá!Estou viciada na PS2 e considero seriamente a hipótese de vir a tentar levantar uma bola de golfe um dia destes!
Hoje mudou a hora e o António chegou ao fim do seu desenvolvimento dentro do útero. Se nascesse hoje já não seria considerado prematuro. Estou assim literalmente à espera que se decida a aparecer. Ontem dia 1 de Abril simulei que tinha entrado em trabalho de parto aproveitando o facto de poder mentir e não ser pecado. A expressão de aflição da minha cara metade foi de tal modo real que não prolonguei o teatro por mais um segundo sequer!Confesso que não consigo imaginar as terríveis dores que irei sentir mas morro de medo delas e a imprevisibilidade do futuro não se aplica tanto neste caso; tenho a barriga gigante, agitada e tenho data "marcada" para penar!Mas enquanto a hora não chega vou aproveitando os últimos momentos a dois sem stresses... aproveitando cada minuto de puro lazer...

quarta-feira, março 15, 2006

Metamorfose

E assim estou na recta final da maior aventura da minha vida!Desde que começou passaram 241 dias ao longo dos quais fui sofrendo uma transformação gradual no meu físico e mente de forma a ser hospedeira da minha herança no mundo.

Gerar uma vida nova é maravilhoso mas requer disponibilidade, dedicação e algum sacrifício confesso. A primeira grande mudança que senti foi o impacto psicológico. Ser mãe aos 31 anos comporta uma maior consciencialização das consequências que daí advêm. Não imagino nada tão poderoso e ao mesmo tempo tão desafiante como colocar um ser humano no Mundo. Até agora tenho-o protegido dentro de mim e consigo dar-lhe tudo para que se sinta bem ainda que tenha cedido parte de mim e do meu bem estar (especialmente nesta fase final).

Tudo mudará no entanto quando o António decidir vir ao mundo. Sofrerá no processo de nascimento, a sensação de bem-estar desaparecerá, sentirá pela primeira vez frio, fome e os seus pulmões vão doer quando respirar pela primeira vez. Terá a sua primeira sensação de abandono e desde logo me alertará para a difícil tarefa de conseguir que seja feliz. É uma responsabilidade tão grande que minimiza todas as mudanças que o meu corpo sofreu até então.

Por ele a minha barriga quadriplicou, o meu sangue tornou-se mais rápido, o meu coração acelerou, o meu apetite aguçou, as minhas pernas incharam, dormi mais para que descansasse, deixei de dormir porque se agitava, ri mais e chorei mais também! O meu corpo enfim, dilatou e cedeu todo o espaço que tinha para receber os seus cada vez mais longos e potentes pontapés. Por ele preparo-me com medo para as horas penosas que ainda hão de vir (falta pouco mais de um mês) ...por ele o que eu não faria???

A metamorfose deu-se dentro de mim, deixei de ser filha para passar a ser Mãe. Haverá mudança maior do que esta?

domingo, fevereiro 26, 2006

Chicago's Skyline

Cheguei sensivelmente há um mês a Chicago e confesso não ter sentido o tempo passar...está tudo a ser demasiado rápido, demasiado novo, demasiado bom. Esta repentina dose de felicidade que tento sofregamente digerir de maneira mais ou menos hedonista, tem-me feito levitar um pouco da Gastarina do pequeno burgo português. Perdi propositadamente a identidade e deixei-me cair graciosamente no anonimato. À minha volta milhares de americanos de diferentes etnias circulam nas mesmas ruas onde me misturo com as suas rotinas. Observo atentamente os seus hábitos, os seus gestos e a forma eloquente como contam uma história banal ao vizinho com quem se cruzam no elevador ou à pessoa de trás na caixa do supermercado. A observação dos pormenores quotidianos deste povo tem sido muito mais surpreendente do que alguma vez imaginaria e faz-me questionar a cultura ocidental como um todo. É certo que em linhas gerais há de facto coisas que nos aproximam enquanto povos, mas desta micro-análise sociológica "corriqueira" que o meu dia-a-dia me proporciona, retiro comportamentos e abordagens que uma portuguesa recém-chegada como eu tem dificuldade em entender e em explicar. Somos gémeos falsos disso tenho a certeza e à medida que me vou entranhando no american lifestyle é-me cada vez mais claro o profundo desconhecimento que nós, europeus, temos acerca dos conterrâneos do Al Capone.
Evanston, a cidade onde resido actualmente, é visualmente muito agradável pelos seus edifícios baixos rodeados de árvores, esquilos tendo o lago Michigan como pano de fundo. A vida de Evanston gira à volta da universidade tal como a de Coimbra e o ambiente universitário enche de juventude os cafés e os bares do centro.O comércio desta pequena cidade de 70.000 habitantes distribui-se por grandes superfícies comerciais ao longo da periferia preparadas para receber milhares de visitantes tanto em espaço como em oferta quase inesgotável de produtos . Sente-se que a economia flui de forma espontânea, bombeada pela atitude pro-activa dos hábeis vendedores e pelo consumo desenfreado da população em geral. Não existem vendedores com ar de frete atrás de um qualquer balcão. Primeiro porque provavelmente seriam despedidos e depois porque os salários variam de acordo com os resultados obtidos. A incerteza no futuro que pode facilmente derrapar na indigência assegura o profissionalismo necessário à vitalidade da economia e à renovação contínua do tecido empresarial.
A grande Chicago com 9,3 milhões de habitantes, é um grande puzzle composto por cerca de 130 cidades como Evanston ou maiores (incluindo Chicago) numa área de aproximadamente 23000 Km2 (cerca de 1/4 da área de Portugal ou ainda correspondente ao somatório das áreas de Viseu, Guarda, Bragança e Vila Real). É fascinante o turbilhão de vida à minha volta e a interacção dos actores sociais que coabitam este espaço. Um espaço multi-racial com diferenças sociais por vezes extremas e que resultam da performance de cada um nesta enorme teia indiferente aos dramas individuais. Aqui, mais do que em outro sítio qualquer, o mundo não pára e não espera por ninguém...

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Festa de Despedida

Já falta pouco para a partida! A ansiedade começa a aparecer e os dias passam a "conta-gotas". É como se estivesse na recta final de uma época de exames já farta dos livros e a pensar em praia mas com o alento de só faltar mais um para terminar...um misto de excitação e desespero portanto.
Entretanto, aos poucos começo já a pôr em marcha os preparativos. Tenho uma série de "pendentes" burocráticos a tratar e para esses infelizmente ainda não ganhei coragem.Refiro-me por isso aqueles que me dão gosto!
Por sugestão da minha mãe procurei a minha roupa de bebé dos 70's e encontrei vários "modelitos" retro muito originais e unissexo!É que o vintage está na moda e nada como ver o meu pequenino com trapinhos que me serviram em tempos!Neste momento já lavados, estão prontos a serem devidamente restaurados para que fiquem com um ar imaculado!
Estou também a organizar uma festinha de despedida com alguns amigos em Lisboa. Vai ser este fim-de-semana e vão estar presentes todas as minhas amigas de Coimbra com excepção da Patty que não tem vergonha na cara e se vai cortar!Má :(((!!!!
Vamos jantar ao Bairro Alto a um restaurante que a Susana G. conhece e diz ser muito bom!Fiz uma pesquisa rápida no Google e vem em destaque no roteiro Gay de Lisboa, isto recorda-me a minha despedida de solteira em Ibiza pelo que achei uma óptima ideia retomar o espírito Ibiziano! (ainda tenho que publicar um post sobre as aventuras na praia das Salinas ;))
Claro que, a pedido do Hélder Belzebu (que vai sorrir quando me vir pelas costas por não ter de me aturar), o jantar será servido apenas após o clássico Benfica - Sporting ou o único homem à mesa seria o Carlos, marido da Santos, que não gosta de "bola".
Vou também despedir-me de Lisboa (estou sempre a despedir-me de Lisboa...), da sua luz, das suas 7 colinas da minha casinha que agora raramente tenho oportunidade de visitar e da minha mana. Deixo tudo para trás para embarcar na grande aventura da maternidade fora de "portas" na terra do tio Sam.
Por ora apenas posso dizer que já tenho as turbinas ligadas pronta a descolar...esperam-me graus negativos, neve, lugares e pessoas para conhecer, espera-me um parto em inglês ("oh my GOD!!!"), um cantinho de estudante para viver, um jeep em segunda mão, o lago Michigan e muitas outras coisas que aqui irei escrever...e há ainda alguém que nos espera, a mim e ao António para uma nova vida a três :))))))!!!!!!

segunda-feira, janeiro 23, 2006

O pianista



















Enroscada numa mantinha de vison falso acompanho, pela enésima vez e já um tanto ou quanto entediada, os comentadores políticos sobre as presidenciais...um dejá vu das últimas semanas apenas com a nuance de haver já um vencedor...escuto ao longe as vozes exaltadas e devagarinho vou-me alheando dos porquês e das estatísticas e finalmente fecho os olhos...acordo novamente com um som de fundo melódico, emocional que me cativa e fico atenta. É o som de um piano magnificamente tocado por um vizinho talentoso. Desligo a T.V. e fico a ouvir encantada...há quanto tempo não sentia assim a música de um piano?Há muito, demasiado talvez...recordo o filme "O Pianista" e imagino o intérprete-mistério com a mesma carga emotiva. Ouvi-lo assim, do meu sofá, no silêncio e na penumbra da noite faz-me sentir privilegiada, como se tocasse só para mim numa enorme sala de concerto... outros dias há, em que os sons da rotina quotidiana de outros vizinhos me chegam também pelos canos e pelas paredes. Dividir um espaço na vertical tem destas vicissitudes e acabo por conhecer alguns hábitos de pessoas que não tento identificar, mas que estabelecem comigo rotinas sem o saberem. Já não estranho uma certa voz feminina a entrar-me pelo escritório a dentro a partir da meia-noite ou um latido fininho de um cão que imagino de pequeno porte...talvez um Pincher ou outro cão a pilhas desse género. O pianista faz parte desta rapsódia de sons da vida alheia que se tornam mais presentes quando vivemos sozinhos.

Às 27 semanas, e com o sistema auditivo totalmente formado, também o António recebe estímulos auditivos do exterior e a minha voz será um deles. Tem portanto inúmeros "vizinhos" através dos quais começa a conhecer o mundo porque também ele é um atento habitante solitário dentro de mim. Os sons que lhe faço chegar transmitem-lhe calma ou angústia, excitação ou relaxamento, já os sente sem saber de onde vêm e reage dando-me pequenos pontapés; não gosta por exemplo do secador de cabelo e demonstra-o sem qualquer problema.
Gostava que tivesse o seu próprio pianista mas infelizmente não sei tocar. Inspirada nesta ideia recolhi da minha colecção de clássicos algumas peças musicais e, enquanto componho este texto dou-lhe a conhecer o som de violinos, piano e flautas na esperança que também ele se encante pela musicalidade...porque há prazeres que se retiram da espontaneidade do momento, aproveita bébé, este é para ti!

sexta-feira, janeiro 20, 2006

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Assalto ao Frigorífico

Hoje de manhã tive consulta de obstetrícia. Levantei-me entusiasmada e preparei-me meticulosamente para o rendez-vous com a balança da maternidade. Esta balança é de uma precisão irrepreensível!!não deixa escapar a oscilação de gramas sendo por isso usada pelos médicos. Desenvolvi uma fobia à maldita máquina por saber o responso que apanho sempre que ouso por-lhe os pés em cima.
Tinha prometido na última consulta que não aumentaria muito de peso, que me iria comportar bem, mas intimamente sabia que isso seria de uma violência comparável às requintadas práticas de tortura dos inquisidores .
Teria, em defesa de uma dieta equilibrada e saudável para mim e para o António, de fazer um Natal Light, Diet sem direito a todas as iguarias maravilhosas que nos passam à frente durante pelo menos uma semana. Quando me comprometi a ser comedida estava até muito bem intencionada, mas o meu plano foi por água abaixo quando me propus a organizar a consoada em minha casa, tendo consequentemente enchido o frigorífico de coisas óptimas e calóricas.
Era um plano perfeito se seguido à risca: a única excepção permitida seria nos dias de Festa resumidos a 3 salvo os quais faria boicote às filhoses, coscoreis, chocolates e restantes doces e queijos que compunham o enorme "cabaz de Natal".Mas, devido à minha condição de simples humana, dia após dia fui perdendo a disciplina e a timidez com o frigorífico, primeiro de forma menos arrojada e com o pretexto de não estragar comida mas à medida que me ia deleitando com os sabores e cheiros que me entravam pela boca e nariz fui perdendo o pudor e acabei em actos de vandalismo descontrolado que nada têm em comum com a relação de Kim Basinger com a comida em "Nove semanas e meia".
E hoje ali estava para prestar contas tal réu em dia de julgamento. Vesti o meu vestido de malha mais leve, tipo película, substitui as pesadas botas de inverno por uns elegantes sapatinhos que devem pesar no máximo 300 gramas e se a médica me perguntasse o que teria a dizer em minha defesa apenas retorquiria pouco convicta - "o bébé deve ser ENORME e pesado como o pai meretíssima, isto é só barriga".
Lá me arrastei contrariada para cima da dita-cuja, despindo o casaco para me aliviar de mais uns kilos e...surpresa das surpresas... aumentei apenas meio kilo!A médica satisfeita ainda me disse que os americanos se iriam espantar com uma pré-mamã tão elegante!Sorri pensando "Quem disse que o crime não compensa?"

segunda-feira, janeiro 16, 2006

16

Após um mês e meio de abstinência decidi retornar à blogosfera e alhear-me das inúmeras pequenas tarefas quotidianas com que me ocupei nos últimos tempos. É perverso o comodismo das pequenas coisas úteis, se por um lado nos ocupam o tempo e a mente na preocupação de fazer o mais rápido e o melhor possível, por outro, desviam-nos a atenção das coisas que realmente apreciamos. Vemo-nos de repente embalados num rame-rame de inúmeros afazeres absolutamente aborrecidos mas inequivocamente essenciais para que o dia-a-dia flua de feição...podemos estar nisto anos, uma vida inteira sem que nos apercebamos de como fomos inteiramente desviados dos grandes e nobres planos para que fomos destinados neste mundo.
Foi o número 16 que me acordou deste "coma" consciente em que me tenho encontrado mergulhada.
As referências exteriores do Eu podem ser tão abstractas e simples como um algarismo mas suficientemente fortes para despertar uma espécie de reflexo de Pavlov no pensamento.
Hoje é o primeiro dezasseis do ano e por uma questão de superstição achei por bem visitar o gato psicopata com o pé direito..é que 16 é o meu número da sorte, aquele que meto nos boletins do totoloto e em que penso quando me fazem um truque de cartas. O magnetismo que o um e o seis juntos têm sobre mim vem do tempo em que, ainda criança, me queria emancipar. Considerava que quando ai chegasse sofreria a desejada metamorfose que me transformaria em mulher. O meu pai tentou em vão explicar-me que a emancipação vinha mais tarde ,com a conta bancária, mas na altura a mesada que recebia parecia-me património mais que suficiente para conquistar o mundo. A curiosidade era enorme e acabei por abandonar a minha amiga e confidente Tucha (antecessora da Barbie) para dedicar toda a minha atenção ao meu recém-estatuto de sweet sixteen. Lembro-me certo dia de, num acto de crueldade feminina, eu e uma amiga termos dito de outra que era feia feia!! ao que a minha mãe respondeu a rir que com 16 anos não existem meninas feias...e de facto tinha razão...
No dia 16 de Setembro de 1996 encontrei a minha cara-metade à qual, findos 9 anos de namoro disse SIM no dia 16 de Julho pelas 16 horas há precisamente 6 meses. Por essa razão quis vir aqui assinalar esta meia data para mim tão especial... o número foi apenas o pretexto ;)

sexta-feira, novembro 25, 2005

HAPPY BLUE!
















Finalmente decifrado o mistério...era mesmo o António quem esperneava com tanta vontade como se quisesse dizer:"hey!!estou aqui!!!não me sentes?".Desde a última vez que o vi, ainda com 14 semanas cresceu imenso!!Actualmente mede cerca de 15 cm (da cabeça ao rabiosque), pesa 240 gramas e já não cabe todo no ultra-som.
Fico abismada com a minha proximidade com o bébé fruto da enorme quantidade de informação que já detenho. O que sabia a minha mãe de mim em 1974?Sabia que estava viva porque me agitava, que iria nascer em Maio e esteve iludida até ao último minuto de que seria um rapaz. Nada sabia e como tal não tinha metade das preocupações!O contacto que nos dá prazer e enche de alegria também nos causa alguma ansiedade. Queremos um report quase minuto a minuto e tentamos interpretar cada sinal que nos chega de dentro. Fazemos buscas na Internet nos inúmeros sites dedicados ao tema e que nos ensinam a alimentar, a escolher bem o nome, a parir, a educar o bébé, a preparar o pai e a vencer a depressão pós-parto.É a verdadeira standardização de emoções pessoais, intimas e únicas! Estamos também restringidas a milhares de pequenas coisas que anteriormente fariam as nossas delícias mas que podem ser maléficas para o pequenino. Abdico delas sem qualquer problema mas confesso q a que mais me custa é não poder afagar o Gastão!Pobrezinho não percebe a minha indiferença às suas manifestações de carinho...
Por último, a grávida moderna ainda se deve preocupar com a linha, já não há desculpa para belos repastos!As calorias necessárias e os elementos nutritivos adequados estão devidamente identificados em tabelas científicas para que não haja deslizes!O que é feito dos desejos excêntricos das grávidas às duas da manhã?Pois... até esse mimo foi desmistificado pela ciência!Haja pachorra!
Estarei à altura dos requisitos anunciados pelos livros e revistas da especialidade?
Não tenho nenhum curso superior em maternidade e não sou expert na matéria, apenas tenho este instinto primário que não me larga e que me deixa deslumbrada com quem aí vem!Bem-vindo baby boy!!!

terça-feira, novembro 22, 2005

Já mexe!!!


6:35 da manhã...acordo com um movimento dentro do abdómen muito suave mas agitado o suficiente para que não me restem quaisquer dúvidas!só pode ser ele(a)...esboço um sorriso cúmplice e deixo-me estar quietinha a aproveitar o momento.Foi o nosso primeiro encontro!!!Não o(a) imagino por enquanto, apenas sei que tem genica e isso basta-me!Levantei-me excitada e fui dar a notícia ao pai ainda a terminar o serão.Rimos juntos e deitei-me de novo sem conseguir adormecer atenta a novos sinais. Foi a insónia mais divertida que tive, nem sabia que tal seria possível!!!
Hoje vamos nadar juntos(as) pela primeira vez e amanhã vou à maternidade para saber se quem me bate à porta é a Maria Carolina ou o António Maria.Até lá então!!!

quinta-feira, novembro 10, 2005

Espíritos elevados



Na passada semana tive a oportunidade de ver uma belíssima exposição de pintura de finais do século XIX e todo o século XX no Instituto de Arte de Chicago. Impressionismo, Expressionismo, Naturalismo, Modernismo, Dadaísmo, Cubismo, Surrealismo e os demais "ismos" das artes plásticas estavam magníficamente representados através das obras dos Mestres das referidas correntes. Fiquei surpreendida com a dimensão e importância deste espólio detido pelos americanos e vi-me diante de muitos dos quadros que conhecia tão bem dos livros de arte do meu pai e que sempre tive curiosidade de folhear. Saboreei então o mundo no último século e meio através dos olhos destes artistas...é como ter um binóculo mágico que nos permite olhar a história, o mundo e a vida com uma elevação que nos enriquece subitamente a alma e que nos alerta para as nossas próprias limitações. Todos eles foram pioneiros no seu tempo.Encontraram forma de expressar a sua humanidade e de projectar ideias e sentimentos em objectos figuras e paisagens que nos são familiares e que por isso compreendemos. Mesmo a bizarria do surrealismo parece-me bastante natural!É este o poder da arte, transmitir-nos mensagens de forma genial,com as quais nos identificamos sem que haja de facto uma lógica linear por detrás dessas construções.
Mas, o que é o mundo e a existência de vida senão a mais suprema das artes?A complexa teia de vidas orgânicas, de volumetrias, de emotividades, de acontecimentos, de tempo e espaço que nos circunda é de facto matéria - prima em bruto para esses olhos diferentes!
A criação do nosso próprio universo artístico, ainda que não sejamos iluminados como esses Senhores, é a garantia da nossa individualidade e da nossa dignidade enquanto seres "pensantes". O verdadeiro problema é conseguir ver para além do aborrecido, para além do nosso próprio umbigo.Falta de curiosidade acredito, e não tanto de capacidade...
Estou a ler o Diário de Anais Nin. O mundo aos olhos de uma mulher, escritora, poetisa e pioneira do seu tempo que se aventura no universo cru e rude de Henry Miller. O mesmo mundo, a mesma época, olhares diferentes...e ainda o meu, quase um século à frente e em muitas coisas atrás...

segunda-feira, outubro 24, 2005

A incrível Malásia



Após um mês de ausência volto para conseguir completar o propósito que me fez criar este meu cantinho na web...prosseguir com o relato da minha lua-de-mel para que daqui a uns anos me sirva de cábula quando a memória já não me ajudar...
Por esta altura teremos chegado ao ponto alto da viagem. Depois de mil aventuras e desventuras, tempestades tropicais e visitas às profundezas do oceano,após experimentarmos a vida numa metrópole asiática e de termos voado já inúmeras vezes durante apenas duas semanas, ainda não tinhamos sentido que estávamos em lua-de-mel. Era tal o espanto com a novidade que não conseguiamos deixar de absorver toda aquela informação e cadência rápida de acontecimentos. A adrenalina libertada no processo e os espíritos frenéticamente agitados não se enquadravam na imagem de amor e uma cabana num paraíso perdido que imaginamos para uma lua-de-mel.
A Malásia proporcionou-nos o cenário idílico que procurávamos. A ilha de Langkawi era absolutamente perfeita!A selva densa ocupara os terrenos até ao mar e em alguns pontos havia imagens tão belas como árvores "soltas" na água verde esmeralda.
Passámos 5 dias numa praia exclusiva do hotel "Datai". Uma baía imaculada rodeada por selva e animais selvagens. Diariamente observava águias e pássaros exóticos no céu,lagartos gigantes no meio da vegetação e macacos a passear em bando pela praia.Os pequenos caranguejos faziam rendilhados com as patas transformando a areia numa gigante e elegante carpete.
No mar, ao fundo no horizonte, a misteriosa Tailândia. Nunca tinha visto nada tão belo e acredito seriamente nas propriedades terapêuticas daquele paraíso para curar os males do mundo ocidental. O convívio com o belo, com a natureza em todo o seu esplendor faz sobressair o que de melhor há em nós: os gestos ficam mais suaves, as palavras mais doces,o sorriso mais franco. O poder da pureza das plantas, dos bichos e do mar elevaram-me a um estado de transe quase hipnótico fazendo-me festejar o amor naif, puro e simples. Certo dia choveu muito enquanto estávamos na praia. Todos os presentes recolheram os pertences e abrigaram-se onde puderam, nós escolhemos o mar. Um casal de idosos seguiu-nos com um sorriso de orelha a orelha, felizes e sem receio mostrando que o amor é intemporal...

sexta-feira, setembro 23, 2005

A cidade formigueiro


A passagem por HK foi curta e debaixo de chuva. O mau tempo desencorajou-nos de fazer o chamado turismo convencional.Em alternativa optámos por uns passeios calmos mais ou menos sem rumo e por fazer umas comprinhas tecnológicas. Achei HK visualmente impressionante pela sua arquitectura em altura de design arrojado e pela sua enorme densidade populacional. Aquele cenário imponente de betão e vidros espelhados alberga cerca de 8,2 milhões de habitantes numa área correspondente a 1102 km²!!
O frenético formigueiro humano que enche as ruas da cidade movimenta-se à "velocidade da luz" para produzir e consumir um leque diversificado de bens assegurando a vitalidade da economia implantada e administrada pelos ingleses até 1997. O comércio é riquíssimo, especialmente no segmento das novas tecnologias, e a prosperidade económica transformou HK em terreno fértil para todas as marcas de luxo internacionais.À noite a cidade duplica o seu encanto. A força visual dos neons cria um ambiente festivo nas ruas ainda cheias de gente e o ritmo parece não abrandar. Culturalmente a metrópole recebe influências dos quatro cantos do mundo o que resulta numa mistura exótica sofisticada.
A observação do modus vivendus dos residentes foi suficiente para que compreendesse a razão pela qual se fala na China como a potência hegemónica do futuro. A cultura de trabalho é fascinante e totalmente direccionada para o mercado aberto e competitivo, o tecido empresarial renova-se continuamente abrindo brechas para o aparecimento de novas empresas prósperas e inovadoras. Tudo parece funcionar eficazmente... sem pausas!
Infelizmente também compreendi que por enquanto, qualquer semelhança entre Portugal e Hong Kong é pura coicidência...para mal da economia nacional!

quinta-feira, setembro 22, 2005

segunda-feira, setembro 19, 2005

Monsieur Le Chat


















Serve este post para homenagear O Senhor do Blog...

Chama-se Gastão e é um gato de sorte...

Encontrei-o certa noite de Verão a dormir muito bem instalado no canapé da sala-de -visitas da minha mãe. Apesar de ao início ter tentado convidá-lo a sair por considerar impróprio receber visitas a meio da noite, este senhor não se deixou convencer, continuando a visitar-nos com regularidade. De visita, depressa passou a hóspede com direito a "cama e roupa lavada" sendo actualmente um distinto membro da nossa família.
É certo que é um pouco louco e que trazia maus hábitos da rua...fez desaparecer duas ou três postas de bacalhau o q lhe valeu umas valentes vassouradas durante a fuga e destruiu todos os bolbos de orquídeas plantados em vasos na varanda, tendo por isso más relações com a Conceição, que tenta em vão, ter o controle de todos os bens alimentares em circulação na cozinha...Certo dia decidiu mostrar a sua gratidão e exibir os seus dotes de caçador. Trouxe-nos de presente nem mais nem menos do que um rechonchudo rato cinzento que caçou durante as suas emboscadas felinas. Ficou surpreso por ver a Conceição aos gritos quando confundiu o troféu abandonado na carpete com um qualquer objecto não identificado para arrumar e só percebeu o engano quando olhou para a palma da mão!
À parte desta costela de enfant terrible o Gastão é um excelente gato dotado de qualidades e de uma personalidade sui generis!
Sempre fiel ao seu smoking que nunca tira em ocasião alguma, tem um cuidado extremo com a aparência dedicando parte da sua rotina quotidiana a tratar da imagem. Gosta de se passear elegantemente pelas vastas propriedades que conquistou e que começam no quintal do prédio estendendo-se aos jardins das casas vizinhas. Já o vi a travar lutas com intrusos e a defender o seu território com unhas e dentes!Sempre atento a movimentos estranhos no terreno coloca-se muitas vezes de plantão em pontos estratégicos, geralmente altos para conseguir um melhor ângulo de visão.
Nunca dispensa o seu passeio higiénico depois de jantar e muitas vezes chega a casa lá pelas 4 da manhã! É um boémio inveterado... A sua vida secreta e os seus casos amorosos por certo dariam um filme, mas com este gato, tenho apenas o privilégio de privar a horas normais e durante a sua estadia na casa.
Com o tempo tornou-se um companheiro extraordinário: meigo e dedicado, cheio de cortesia. Aprendeu a arte da sedução e sabe usá-la como ninguém, especialmente quando quer um petisco novo ou a atenção da casa. Só bebe água por uma certa taça vermelha e tem o seu lugar cativo na poltrona da sala ao serão.É um gato requintado!
Viciou-me na sua saudável loucura, na sua alegria e vontade própria tendo por isso conquistado um lugar de respeito neste blog. Quem tem medo do Gastão mau?